Austeridade. Era a receita que seria aplicada de há um ano para
cá para recuperar um país afogado em dívidas. Apoiado num memorando de
entendimento sendo aplicado com condições estranhas mas que é para aplicar a
qualquer custo e se possível ir até mais além.
Problema principal nisto tudo. Na folha de excel as contas
podem bater todas certas, mas governar um país não é só fazer contabilidade. As
pessoas não são números por muito que isto custe a perceber no Terreiro do
Paço. O Estado serve as pessoas, não se serve delas. Depois do resultado de um
ano deste “salvador” programa de ajuda é perfeitamente perceptível que não
vamos recuperar nada nos próximos vinte anos. O caminho é um mergulho profundo
na pobreza e miséria. Isto resulta numa ideia idiota de importar o
republicanismo neoliberal norte-americano para um país que não tem condições
para se transformar nessa ideia ideológica de nação perfeita em que todos somos
empresas, capazes de criar postos de trabalho e riqueza. É uma importação do “american
dream” que por cá se traduz no “portuguese nightmare”. Desemprego em números
astronómicos, um défice a crescer em flecha, PIB a cair e mesmo o que poderia
ser positivo é um reflexo da crise em que estamos mergulhados. A balança
comercial está equilibrada não porque recorremos a importação de bens
sucedâneos mais baratos mas porque deixámos de importar.
Agora, como resposta ao TC depois do chumbo do corte dos
salários aos FP, aumenta-se a contribuição para a TSU dos trabalhadores e
diminui a das empresas. Surpreendentemente o PM espera que isto vá criar
emprego. Como é que alguém cria emprego se não tem clientes?! O consumo vai
inevitavelmente cair ainda mais, a falência de empresas vai continuar e o país
vai continuar sabe-se lá para onde. Isto tudo é uma visão revolucionária
neoliberal em que o custo do trabalho desce a pique até que qualquer pessoa
está disposta a trabalhar por uma migalha. Vamos todos ser transformados em
chineses. O objectivo é simplesmente este. Conseguir competir com a China. É
completamente inconcebível estar-mos a ser governados por uma ideologia que não
tem qualquer ligação com a realidade.
Mais inquietante é ver que um dos membros da coligação
depois de ter dito que não aceitaria um aumento da carga fiscal, tem a lata de
se regozijar com a opção do governo não ter sido realizado qualquer aumento de
impostos. Chamem o que lhe quiserem mas não façam das pessoas estúpidas, o
resultado é o mesmo. Menos dinheiro e aumento da pobreza que já chega a ter
números alarmantes.
Mais ainda, há uma oposição fantasma. O PS não existe,
parece que está a dormir e se calhar até se sente bem assim. Depois de nos ter
trazido para este caminho deve estar a descansar do trabalho que teve a
hipotecar o país. O PCP está fechado a cadeado no seu mundo de fantasia onde se
encontra há anos e o Bloco está mais preocupado e fazer experiências de
laboratórios com a direcção do que a fazer oposição.
Outro estranho caso é o PR. Enche a boca com a equidade mas
apesar de qualquer pessoa ver que equidade não existe nestas medidas o homem
continua a deitar cá para fora discursos de equidade inconsequentes. Já tem uma
certa idade e não se está para chatear. Percebo, ainda por cima a reforma não
lhe chega para as despesas. Coitado…
Sinto-me revoltado por ter votado no CDS porque este
programa não foi aquele que eu votei e porque não se vê qualquer acção de força
do CDS contra esta ideologia revolucionária que tomou conta do Governo. Isto é
um PREC neoliberal. Ao invés de nacionalizar tudo para ser só de alguns,
privatiza-se tudo para os amigos do Relvas. Nunca se viu um ministro a fazer
tanta borrada e metido em tanta trapalhada e continuar no cargo. Depois com um
consultor importado dos EUA que tem mais ou menos o papel de um ministro sem
que ninguém tenha votado nele. Este António Borges não tem qualquer
legitimidade democrática para apresentar medidas do governo mas alguém dentro
daquele grupo de loucos que está no governo acha que ele deve ir para a
televisão falar sobre as acções do governo, como se fosse ele que estivesse a
governar, apesar de parecer isso tal a trapalhada de tudo isto.