Concluida a greve geral sinto a necessidade de fazer algumas observações:
1º: Não concordo com o formato das greves em Portugal.
Neste país uma central sindical espirra cá para fora uma intenção de greve e vem logo tudo atrás, é partídos politicos, é piquetes de greve, enfim...é uma festa quase.
As centrais sindicais neste país tem de deixar de servir de grupos de interesses dos partídos politicos. Desde sempre é isso que se tem visto e terá de acabar um dia (espero eu). Só nesse dia é que vou ver com bons olhos a sua existência, até lá tudo o que disserem para mim terá pouco significado.
Depois tenho em mim a ideia que ao regime especial que têm os militares e as forças de segurança, também os transportes públicos deveriam ter um regime especial no que toca ao seu direito à greve. O sector dos transportes deve ser aquele que mais contacto tem com a população no seu dia-a-dia e ao paralisar transportes muita gente faz greve forçada (o meu caso) quando não o quer fazer. E a verdade é que quando nem serviços mínimos se respeita ninguém que deles depende vai arriscar a sair de casa. E nisto se vê como são coitados, não respeitaram serviços mínimos, vão ser despedidos? Claro que não, ora essa, estavam a exercer o seu direito à greve.
Considero também que não era uma má ideia adoptar o modelo de greves alemão em que as revindicações dos grevistas seriam avaliadas por um tribunal que aceitava ou rejeitava o pedido de greve. Os tribunais são um orgão independente e imparcial, para além de que são funcionários públicos como a maioria dos que hoje protestaram. Estão com medo do quê?
Aceito os piquetes de greve sabendo também que estão previstos na lei, mas o triste espectáculo que se viu nas imagens de televisão deixa-me a pensar qual a sua utilidade. Querem greve façam-na com alguma ética e moral, agora formarem piquetes que funcionam como um gangue que procura forçar quem não quer a fazer greve acho lamentável num Estado democrático. Formem um piquete e procedam à nomeação de um porta-voz que converse com quem não quer fazer greve. Se reconsiderar e se juntar aos grevistas muito bem, se quer continuar a trabalhar é deixá-lo seguir caminho sem alarido. Agora fazer o espectáculo que se vê e obrigar à intervenção policial é triste e algo que se vê num país terceiro-mundista.
2º:Ética numa manifestação.
Isto é algo que parece existir cada vez menos. Já estavam em frente à A.R. Estavam a manifestar-se livremente e como bem entendiam. Para quê dar o trabalho à policia de fazer o que não queriam e obrigá-los a carregar sobre os manifestantes? Além do mais quando aqueles mesmo agentes da autoridade que ali estavam de certeza que partilhavam da indignação que estavam a mostrar à sua frente. Enfim...Obrigaram um polícia a ir ao hospital e o mesmo sucedeu a outros sete manifestantes.
Acho que posso inserir também aqui que se deve fazer uma greve quando existe condições para tal, ou seja, quando temos condições para provocar um mínimo prejuízo à nossa economia. Tenho ideia que qualquer manifestante sabe que o que fez hoje não vai adiantar de nada tal como também me parece que sabem que a única coisa que mudaram foi o empurrar das contas do país mais para baixo (da mesma forma que empurraram as barreiras da A.R.) causando um prejuízo avaliado em cerca de 700 milhões de €. Longe estamos dos tempos que podíamos fazer estas brincadeiras, mas os mesmos que hoje defenderam mais direitos, esquecem-se que deviam ter deveres para com o país.
Espaço de exposição pessoal sobre um pouco de tudo. Tenha interesse ou nem por isso, procuro informar e ser informado.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
A Luz que Cega
Nos últimos tempos o nosso país tem estado num fórró completo. Acontece todos os anos quando é apresentado o Orçamento de Estado e este ano não podia ser excepção. Na Assembleia há grandes discussões sobre o dito cujo, na rua marcam-se greves atrás de greves (nunca hei de perceber a ideia de defender o trabalho não trabalhando, mas cada um sabe de si. Já agora, hoje em dia de greve de transportes, uma palavra de apreço pelos trabalhadores da Metro do Porto que numa carta da qual tive conhecimento no "Público" expuseram 8 razões para não fazer greve. Observaram e bem que o seu dever de transportar os milhares de cidadãos se sobrepõe a qualquer direito há greve. Pena que as corporações dos transportes de Lisboa, principalmente, ainda sejam dominadas por sindicalistas parados no tempo da convulsão de Abril de 74. Enfim...). Fechado o parêntesis resta-me assinalar que para além da A.R e da rua este Orçamento também é comentado por toda a parte pelos nossos maravilhosos políticos. Onde? Na Comunicação Social claro está! Nomeadamente pelo líder do P.S. e pelo Ministro do Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas. O governo tem de começar a não deixar este Ministro falar em público, cada vez que abre a boca e procura formular frases é um ai jesus. Não se compreende como é que numa altura destas, este sujeito é capaz de, depois de José Seguro vir procurar negociar o corte dos subsídios na função pública (algo que o Ministro das Finanças disse que era inegociável), vem este alarve primeiro dizer que o Governo estava aberto para negociação e dois dias depois vir para a Comunicação Social dizer que afinal já não dá para negociar coisa nenhuma. Já não é a primeira vez que o Sr.Ministro faz isto e decerto que não será a ultima, uma vez que cada vez que lhe aparecem as câmaras de televisão à frente ele parece um veado encadeado pela luz. O homem quase que se espuma e rejubila por conseguir aparecer na Tv e ter os seus 15 minutos de fama ( infelizmente para nós já deve ir numas boas horas). Todos os governos tiveram a sua mascote, claramente Relvas perfila-se para acompanhar esta tendência. O problema é que na situação actual do País, os governantes mais do que ninguém têm de medir as suas palavras e quando não têm nada para dizer o melhor é mesmo não dizerem nada.
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