sábado, 10 de março de 2012

Eco de Sócrates

Isto de vez em quando lá se lembram de chagar alguém. Na política portuguesa para bater em alguém que esteve ou está no Governo qualquer badameco está pronto. Podem ser criticados? Podem, claro que podem, especialmente quando o contributo deixado ao pais foi uma ilusão de riqueza que não existia.
Há uns dias andava meio país a pedir a cabeça do Ministro da Economia (ou Álvaro como o sr. gosta de ser tratado). Foi uma mini-novela devido aos fundos do QREN (segundo consta) e a quando da reunião do mesmo com o Primeiro-Ministro até correu o boato que seria nesse momento o primeiro ministro deste Governo de coligação a cair. Não se confirmou, o Álvaro ainda lá contínua, no entanto não por muito tempo parece-me. Este fim-de-semana vem o Presidente da República criticar duramente o antigo primeiro-ministro, José Sócrates, com o qual teria (segundo afirmações passadas de ambos) uma relação institucional a roçar a perfeição. Parece afinal que não seria bem assim pelas palavras do PR. Por muita razão que o Presidente da República, Cavaco Silva, tenha nas suas palavras, afirmações destas são de evitar. Nunca é de bom tom lançar criticas tão duras e a um antigo Chefe de Governo com o qual (supostamente) cooperava. No entanto, isto parece-me com uma razão de ser e aqui volta a entrar o Álvaro. Com estas críticas os Media rapidamente se esqueceram do Álvaro e da sua suposta saída do Governo. O PR fez com que as atenções se centrassem em si funcionando como escudo do Governo. Cheguei a pensar que o sr. Presidente da República estaria a ficar senil mas nenhum PR mete "a pata na poça" tanta vez em tão pouco tempo sem dar por isso.
Estas posições de Cavaco Silva têm uma justificação. Passos Coelho não é Sócrates e passo a explicar. O modo confrontacional e por vezes arrogante com que Sócrates enfrentava adversários políticos e até a Comunicação Social deixaram marcas na política portuguesa. Essa sua atitude e a sua capacidade de aguentar os ataques deixaram marcas na política portuguesa e nas pessoas que se habituaram a ver um PM "guerreiro" (muitas vezes no mau sentido da expressão). Isto veio a provocar uma individualização da política portuguesa que a meu ver nada de positivo trouxe. Passos como não tem essa capacidade tem mais dificuldade em escudar o seu Governo dos ataques da CC e aí entra o PR que no seu 2º mandato e que não deve em tempos próximos permanecer na política sacrifica a sua popularidade para dar espaço ao Governo centrando em si as atenções da CC.