domingo, 9 de setembro de 2012

Um ano após a mentira



Austeridade. Era a receita que seria aplicada de há um ano para cá para recuperar um país afogado em dívidas. Apoiado num memorando de entendimento sendo aplicado com condições estranhas mas que é para aplicar a qualquer custo e se possível ir até mais além.
Problema principal nisto tudo. Na folha de excel as contas podem bater todas certas, mas governar um país não é só fazer contabilidade. As pessoas não são números por muito que isto custe a perceber no Terreiro do Paço. O Estado serve as pessoas, não se serve delas. Depois do resultado de um ano deste “salvador” programa de ajuda é perfeitamente perceptível que não vamos recuperar nada nos próximos vinte anos. O caminho é um mergulho profundo na pobreza e miséria. Isto resulta numa ideia idiota de importar o republicanismo neoliberal norte-americano para um país que não tem condições para se transformar nessa ideia ideológica de nação perfeita em que todos somos empresas, capazes de criar postos de trabalho e riqueza. É uma importação do “american dream” que por cá se traduz no “portuguese nightmare”. Desemprego em números astronómicos, um défice a crescer em flecha, PIB a cair e mesmo o que poderia ser positivo é um reflexo da crise em que estamos mergulhados. A balança comercial está equilibrada não porque recorremos a importação de bens sucedâneos mais baratos mas porque deixámos de importar.
Agora, como resposta ao TC depois do chumbo do corte dos salários aos FP, aumenta-se a contribuição para a TSU dos trabalhadores e diminui a das empresas. Surpreendentemente o PM espera que isto vá criar emprego. Como é que alguém cria emprego se não tem clientes?! O consumo vai inevitavelmente cair ainda mais, a falência de empresas vai continuar e o país vai continuar sabe-se lá para onde. Isto tudo é uma visão revolucionária neoliberal em que o custo do trabalho desce a pique até que qualquer pessoa está disposta a trabalhar por uma migalha. Vamos todos ser transformados em chineses. O objectivo é simplesmente este. Conseguir competir com a China. É completamente inconcebível estar-mos a ser governados por uma ideologia que não tem qualquer ligação com a realidade.

Mais inquietante é ver que um dos membros da coligação depois de ter dito que não aceitaria um aumento da carga fiscal, tem a lata de se regozijar com a opção do governo não ter sido realizado qualquer aumento de impostos. Chamem o que lhe quiserem mas não façam das pessoas estúpidas, o resultado é o mesmo. Menos dinheiro e aumento da pobreza que já chega a ter números alarmantes.

Mais ainda, há uma oposição fantasma. O PS não existe, parece que está a dormir e se calhar até se sente bem assim. Depois de nos ter trazido para este caminho deve estar a descansar do trabalho que teve a hipotecar o país. O PCP está fechado a cadeado no seu mundo de fantasia onde se encontra há anos e o Bloco está mais preocupado e fazer experiências de laboratórios com a direcção do que a fazer oposição.
Outro estranho caso é o PR. Enche a boca com a equidade mas apesar de qualquer pessoa ver que equidade não existe nestas medidas o homem continua a deitar cá para fora discursos de equidade inconsequentes. Já tem uma certa idade e não se está para chatear. Percebo, ainda por cima a reforma não lhe chega para as despesas. Coitado…

Sinto-me revoltado por ter votado no CDS porque este programa não foi aquele que eu votei e porque não se vê qualquer acção de força do CDS contra esta ideologia revolucionária que tomou conta do Governo. Isto é um PREC neoliberal. Ao invés de nacionalizar tudo para ser só de alguns, privatiza-se tudo para os amigos do Relvas. Nunca se viu um ministro a fazer tanta borrada e metido em tanta trapalhada e continuar no cargo. Depois com um consultor importado dos EUA que tem mais ou menos o papel de um ministro sem que ninguém tenha votado nele. Este António Borges não tem qualquer legitimidade democrática para apresentar medidas do governo mas alguém dentro daquele grupo de loucos que está no governo acha que ele deve ir para a televisão falar sobre as acções do governo, como se fosse ele que estivesse a governar, apesar de parecer isso tal a trapalhada de tudo isto.