Engraçado como consegui transportar parte do nome do blogue para o título desta mensagem. Mas para o que pretendo transmitir tanto serve ter como nome a Geração do Nada ou a Geração de Tudo, o objectivo acaba por ser o mesmo. Ontem enquanto via o "5 para a Meia Noite" (dos melhores programas que se fizeram na televisão portuguesa em muitos anos), no segmento das entrevistas lá introduziram a conversa da crise e tocaram num ponto que já me tinha passado pela cabeça mas que a poucas pessoas o expus. Denominaram a minha/nossa geração de "Geração à Rasca" devido às dificuldades em encontrar emprego, ao emprego precário que se encontra e às más condições de trabalho. Para isto tenho uma palavra: Aguentem. O mundo evoluiu e com ele todas as condicionantes em redor do mercado de trabalho. O tempo do emprego de sonho e do emprego para a vida inteira acabou! Agora têm trabalho e se cá não o encontram na vossa área, mexam os cordelinhos e vão para um país que vos acolha e que necessite das vossas qualidades. Se não conseguirem arranjem um trabalho, algo que não seja da vossa área mas que vos ofereça uma vida condigna. Parece-me importante frisar este tema já gasto para o que pretendo realmente tratar. Este trabalho que consigam arranjar, torna-se na grande maioria dos casos, o objectivo no qual centra-mos esforços para irmos evoluindo, progredindo na carreira (talvez) e com isso ganhar um salário melhorzinho e consequentemente uma melhor qualidade de vida. Mas isto é um objectivo individual, de cada um de nós, e não duvido que cada um tenha o seu, seja ele melhor ou pior, conforme a mente de cada um. Parece-me é que falta algo, algo que as gerações anteriores à nossas tinham e que nós não temos. Em grande parte, não por culpa nossa mas por culpa de quem nos rege. Um Governo que não faz mais do que anunciar mais impostos ao país não é Governo, um Governo que não faz mais que preocupar-se com as Finanças não é Governo! Acredito que seja necessário toda esta preocupação em redor das Finanças do Estado que há muito estavam não degradadas mas putrefactas e que seja tempo também de por as pessoas a pagar um valor justo pelo que consomem, sejam bens ou serviços. Mas volto a frisar que as responsabilidades de um Governo não é apenas as Finanças.
Que é feito da Economia? Da Agricultura? Das Pescas? Da Industria? Que é feito da base da construção de um Estado? Podem-me dizer que não temos nada disto, que a agricultura, a pesca e a indústria estão nas ruas da amargura. Mas a verdade é que já tivemos. Nesse horrível tempo anterior ao 25 de Abril de 74 já tivemos isto tudo. A realidade de agora é que já pouco temos. Não ponho em causa a revolução nem quem a orquestrou mas a verdade é que não souberam manter o que de bom foi feito no nosso país nesses anos negros. E a verdade é que nesses anos negros, quando o descontentamento com o regime foi maior o povo português tinha um objectivo comum, tinha algo que pretendia alcançar e conseguiu-o. A nossa actual geração não tem. Os ricos estão bem ricos, os pobres pouca possibilidade têm de sair da pobreza e resignam-se à sua situação, e pelo meio os que não são ricos nem pobres levam com as balas todas para sustentar o nosso país. Já perceberam a referência ao título? Somos ao mesmo tempo a Geração dos que têm tudo e dos que nada têm...Somos uma geração resignada ao que nos vão impondo e é contra isso que um Governo devia lutar. Devia ter a responsabilidade de motivar todo um povo que se limita a ouvir e que não age nem reage. Deveria-mos agora, mais do que nunca, ter um Governo que incutisse no espírito das gerações mais jovens um objectivo comum, algo que se identifique com as pessoas e que acreditem que valha a pena lutar por isso.
A geração dos nossos avós lutou pela liberdade. Nós porque não temos objectivos? Porque não lutamos por algo?
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