quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Abril há todos os anos, greves assim é que nunca mais...

Concluida a greve geral sinto a necessidade de fazer algumas observações:

1º: Não concordo com o formato das greves em Portugal.
Neste país uma central sindical espirra cá para fora uma intenção de greve e vem logo tudo atrás, é partídos politicos, é piquetes de greve, enfim...é uma festa quase.
As centrais sindicais neste país tem de deixar de servir de grupos de interesses dos partídos politicos. Desde sempre é isso que se tem visto e terá de acabar um dia (espero eu). Só nesse dia é que vou ver com bons olhos a sua existência, até lá tudo o que disserem para mim terá pouco significado.
Depois tenho em mim a ideia que ao regime especial que têm os militares e as forças de segurança, também os transportes públicos deveriam ter um regime especial no que toca ao seu direito à greve. O sector dos transportes deve ser aquele que mais contacto tem com a população no seu dia-a-dia e ao paralisar transportes muita gente faz greve forçada (o meu caso) quando não o quer fazer. E a verdade é que quando nem serviços mínimos se respeita ninguém que deles depende vai arriscar a sair de casa. E nisto se vê como são coitados, não respeitaram serviços mínimos, vão ser despedidos? Claro que não, ora essa, estavam a exercer o seu direito à greve.
Considero também que não era uma má ideia adoptar o modelo de greves alemão em que as revindicações dos grevistas seriam avaliadas por um tribunal que aceitava ou rejeitava o pedido de greve. Os tribunais são um orgão independente e imparcial, para além de que são funcionários públicos como a maioria dos que hoje protestaram. Estão com medo do quê?
Aceito os piquetes de greve sabendo também que estão previstos na lei, mas o triste espectáculo que se viu nas imagens de televisão deixa-me a pensar qual a sua utilidade. Querem greve façam-na com alguma ética e moral, agora formarem piquetes que funcionam como um gangue que procura forçar quem não quer a fazer greve acho lamentável num Estado democrático. Formem um piquete e procedam à nomeação de um porta-voz que converse com quem não quer fazer greve. Se reconsiderar e se juntar aos grevistas muito bem, se quer continuar a trabalhar é deixá-lo seguir caminho sem alarido. Agora fazer o espectáculo que se vê e obrigar à intervenção policial é triste e algo que se vê num país terceiro-mundista.
2º:Ética numa manifestação.
Isto é algo que parece existir cada vez menos. Já estavam em frente à A.R. Estavam a manifestar-se livremente e como bem entendiam. Para quê dar o trabalho à policia de fazer o que não queriam e obrigá-los a carregar sobre os manifestantes? Além do mais quando aqueles mesmo agentes da autoridade que ali estavam de certeza que partilhavam da indignação que estavam a mostrar à sua frente. Enfim...Obrigaram um polícia a ir ao hospital e o mesmo sucedeu a outros sete manifestantes.
Acho que posso inserir também aqui que se deve fazer uma greve quando existe condições para tal, ou seja, quando temos condições para provocar um mínimo prejuízo à nossa economia. Tenho ideia que qualquer manifestante sabe que o que fez hoje não vai adiantar de nada tal como também me parece que sabem que a única coisa que mudaram foi o empurrar das contas do país mais para baixo (da mesma forma que empurraram as barreiras da A.R.) causando um prejuízo avaliado em cerca de 700 milhões de €. Longe estamos dos tempos que podíamos fazer estas brincadeiras, mas os mesmos que hoje defenderam mais direitos, esquecem-se que deviam ter deveres para com o país.

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