
Durante o período de férias que tenho tido, dei por mim em verdadeiras maratonas culturais.
Séries, filmes documentários...Tenho tido alguns dias de recuperação cultural daquilo que nos anos de criança não me interessava e daquilo que as obrigações académicas me retirava tempo e, sinceramente, também paciência para os ver convenientemente.
O último filme que vi, melhor, revi, foi O Rapaz do Pijama às Riscas. Por entre aquela história da 2ª Guerra Mundial e como, mesmo dentro de uma família alemã da época, a ideologia nazi não era vista por todos da mesma maneira, o ponto de maior interesse é sem dúvida a evolução da personagem do protagonista. Todo o desenrolar da história em redor da criança foi sem dúvida fascinante para mim.
Digo isto porque, no entretanto, dei por mim a comparar aquilo que sucedia no filme com o que hoje se vive na Europa.
Não se julgue que irei fazer qualquer dissertação de xenofobia tendo como alvo os alemães, longe disso. Já pagaram pelo seu passado e o povo alemão hoje nada tem a ver com o seu passado.
Centrado agora na dita comparação, eu não culpo ninguém (excepto nós próprios) pela situação de pedintes em que o País se encontra relativamente aos credores. A bipolarização partidária leva a este vazio de ideias a que assistimos quando o que mais se precisa é discussão de projectos e ideias para alcançar soluções que agradem a todos e sejam melhores do que as actuais. Já o disse antes e mantenho a necessidade da austeridade. Não concordo é com um modelo único de austeridade sem nada que compense as perdas por ela geradas. É por essa falta de soluções complementares (não alternativas porque implicaria a rejeição da primeira) que o País vai definhando com o tempo e a miséria cada vez mais regressa e se instala confortavelmente. É aqui que o filme entra. Aquele rapazinho alemão, na sua ingenuidade da infância, fez-me lembrar muitos governantes e políticos nacionais (principalmente) nas suas intervenções públicas.
Tirando da equação o "fenómeno Relvas". Já vi mais qualidades de humanas em animais no zoo do que nele. Outros tenho dúvidas se demonstram arrogância, prepotência, uma brutal falta de sensibilidade ou pura ingenuidade.
Nas várias conversas que o rapaz alemão tem com o miúdo judeu no campo de concertação eu dei por mim várias vezes a transpor aqueles momentos para a realidade actual. Quando questiona o outro se a vida corre bem naquela quinta e se aqueles números nas camisolas são um jogo, eu imaginava qualquer membro do governo ou político a perguntar a um desempregado porque é que não arranja um emprego, ou a alguém que tinha uma vida relativamente segura não poupou algum dinheiro quando o podia fazer. O triste é que isto pode passar-se tanto em Portugal como em qualquer outro país europeu. Mais triste se torna quando se pensa que estas pessoas deveriam ser um exemplo para os cidadãos. A política deveria ser dirigida à causa pública e à prossecução dos interesses nacionais. Como é que tal é possível quando os políticos de hoje apenas conhecem a realidade dos seus partidos? Será que chegam a conhecer a realidade da sua casa?
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